Sucesso da Netflix: o documentário “O Golpista do Tinder”, quem é Shimon Hayut?

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Ayleen Charlotte, Pernilla Sjoholm e Cecilie Fjellhøy foram vítimas de Shimon Hayut; ele roubou mais de 10 milhões de dólares de mulheres em aplicativos de relacionamento.

Um homem charmoso, bilionário e romântico, algo que pode atrair muitos cliques em redes sociais. Viagens de jatinho, estadias em hotéis de luxo, festas e herdeiro de uma empresa de diamantes, assim Shimon exibia sua fortuna.

Simon Leviev, investigado no documentário 'O Golpista do Tinder' exibe luxo no Instagra

Ele se passava por um magnata do ramo dos diamantes, conquistava mulheres na internet. Conhecido no aplicativo como Simon Leviev, ele agia como um homem de família, pai e dedicado ao relacionamento. No primeiro contato, já fazia o convite para uma viagem e um encontro que para a realidade de muitas mulheres seria um verdadeiro conto de fadas.

Após a conquista e muitas trocas de mensagens como um verdadeiro romântico e dedicado namorado, Leviev se transformava em uma pessoa que corria perigos por seu ramo de trabalho ser perigoso.

As mulheres, por diversos motivos, começaram a emprestar somas consideráveis ​​com a promessa de que ele as pagaria assim que conseguisse controlar as ameaças à segurança que colocavam sua vida em risco.

E depois de pouco tempo ele desaparecia, deixando as mulheres com dívidas quase impagáveis ​​ou com a poupança totalmente vazia.

Mas, vamos desde o início da história.

O aplicativo citado no documentário é o Tinder, aplicativo para encontrar parceiros que foi criado em 2011, e considerado um dos símbolos da era digital atual e passou a fazer parte das conversas sobre relacionamentos.

E embora seu foco seja nas relações interpessoais, o app também foi cenário de um escândalo com repercussão financeira: uma história de golpe que chegou aos noticiários e ao Netflix.

Este mês foi lançado na plataforma de streaming o documentário “O Golpista do Tinder”, que conta a história de três mulheres que dizem ter sido traídas por um homem, Simon Leviev, que conheceram através do aplicativo.

Leviev afirma que é envolvido em algum negócio perigoso, como extração de diamantes em regiões de milícia na África ou comércio de armas. Ele diz estar sendo seguido e precisa da ajuda dessas mulheres, para que emprestem seus cartões de crédito, pois não estão no nome dele, ou dinheiro vivo, que não seja rastreável. O que parece ser bem convincente ao mostrar fotos do seu segurança machucado dentro de uma ambulância após um possível ataque.

As histórias da norueguesa Cecilie Fjellhøy, da sueca Pernilla Sjoholm e da holandesa Ayleen Charlotte mostram como esse homem entrou na vida delas por meio do Tinder.

Elas acabaram passando quantias enormes de dinheiro a ele e é difícil de confirmar exatamente quanto, mas alguns estimam na casa dos milhões. No caso de apenas uma das mulheres, a soma chega a cerca de US$ 200 mil (mais de R$ 1 milhão).

 

A história é baseada em reportagem feita pelo jornal norueguês VG, publicada em fevereiro de 2019, que conta a história das três mulheres.

De forma resumida, o modo de agir de Simon Leviev pode parecer frágil, mas a intrincada rede em torno do israelense, destrinchada no documentário O Golpista do Tinder, da Netflix, prova o contrário. Tanto que, mesmo apesar da repercussão do filme lançado na última sexta-feira, 4, e das muitas evidências contra ele, Leviev está livre e ostentando luxo no Instagram. Nesta segunda-feira (7), por exemplo, ele postou um vídeo tomando café em um jatinho particular.

Após a repercussão do documentário, o Tinder informou que cancelou a conta que Leviev mantinha ativa no aplicativo. A empresa LLD Diamonds, da qual o rapaz dizia ser herdeiro, divulgou que vem há tempos movendo ações contra o indivíduo.

Porém, ao que parece, o Instagram não irá banir o golpista da rede. Leviev chegou a fechar sua conta, e também fazer posts sobre o documentário e possíveis ameaças contra as 3 mulheres envolvidas no caso.

“Se eu fosse uma fraude, por que eu iria aparecer na Netflix? Eles deveriam ter me prendido quando ainda estavam filmando. É hora de essas mulheres começarem a dizer a verdade”, escreveu ele na rede.

Mas quem é Simon Leviev e o que o documentário diz sobre sua forma de agir?

De acordo com o que foi publicado em vários meios de comunicação, incluindo VG na Noruega e The Times of Israel, o nome original de Leviev é Shimon Yehuda Hayu, nascido em Tel Aviv em 1990 e pertencente a uma família judia ultra ortodoxa.

O primeiro encontro de Leviev com a lei ocorreu em 2011. Na época, ele foi acusado de fraude por roubar e descontar cheques de pessoas para quem trabalhava.

Antes de ser preso pela polícia israelense, ele conseguiu fugir pela fronteira com a Jordânia com um passaporte falso e seguiu para a Europa. Em Israel, ele foi condenado à revelia a 15 meses de prisão.

Após sua captura, Leviev foi enviado para Israel — Foto: Getty Images via BBC

Foto: Getty Images via BBC

Durante vários anos não houve vestígios de suas atividades, até que em 2015 ele foi capturado na Finlândia pelo crime de fraude, após denúncia de três mulheres. Lá, ele foi condenado a três anos de prisão.

Em 2017, ele retornou a Israel, onde mudou legalmente seu nome: deixou de ser chamado de Shimon Yehuda Hayu para adotar o nome de Simon Leviev, com o qual se tornaria conhecido internacionalmente.

Começou aí a etapa da vida de Leviev narrada pelo documentário da Netflix e pela reportagem do VG: de volta ao exterior, ele se dedicou a contatar mulheres no Tinder e supostamente pedir dinheiro para financiar sua vida de luxo e excessos.

“O que aconteceu em seguida foi quase como entrar no filme ‘O Show de Truman’, onde ele mostra que tem um guarda-costas e que voa em um jato particular”, explicou a diretora do documentário, Felicity Morris, ao jornal The Guardian.

Depois que o relatório detalhando as ações de Leviev foi publicado no jornal norueguês VG e replicado por outros meios de comunicação na Europa, em outubro de 2019, Leviev tentou fugir para a Grécia com um passaporte falso.

No entanto, quando desembarcou em Atenas, ele foi capturado e extraditado para Israel, onde foi condenado a 15 meses de prisão e multado em cerca de US$ 50 mil (cerca de R$ 250 mil) para compensar suas vítimas.

Em entrevista à imprensa local, Leviev sempre negou ter roubado dinheiro das mulheres que o acusaram. Após cinco meses de prisão, devido a políticas relacionadas à pandemia de coronavírus, ele foi solto.

“Talvez elas não gostassem de estar em um relacionamento comigo, ou elas não gostam da maneira como eu ajo. Talvez eu tenha partido seus corações durante o processo”, disse ele em entrevista ao Canal 12 de Israel.

“Nunca tirei um dólar delas, essas mulheres se divertiam na minha empresa, viajavam e viam o mundo com meu dinheiro”, acrescentou.

Embora esteja livre sob a justiça israelense, há processos de fraude contra ele no Reino Unido, Noruega e Holanda.

Além de ser expulso do Tinder, foi banido de outros aplicativos e sites de relacionamento como OkCupid, Hinge, PlentyofFish, OurTime, Meetic, Pairs e Match.

Redes Sociais

É curiosa, aliás, a relevância que as redes sociais apresentam no método usado por Leviev. Logo após conhecê-lo no Tinder, as moças ludibriadas pelo rapaz iam rapidamente ao Instagram analisar seu perfil. Em tempos de vidas virtuais, as redes se tornaram uma espécie de atestado de existência dos seres humanos. Ciente disso, Leviev mantinha seu perfil sempre atualizado, com fotos em diferentes países, carrões e jatinhos, e sendo acompanhado por mais de 100.000 seguidores. Um exemplar extremo da máxima “nem tudo que reluz é ouro” – algo esquecido em tempos de vidas perfeitas nas redes.

Em tempos de redes sociais e exposições no mundo virtual, é bom ressaltar que internet não é terra de ninguém e é algo bem sério de se lidar.

As vítimas

No Instagram, as três estão recebendo milhares de mensagens de apoio. E já somam, juntas, mais de 220 mil seguidores na rede social. No ano passado, Pernilla e Cecilie viajaram para Mykonos, na Grécia, e registraram os momentos de lazer para os fãs. Em dezembro, Pernilla visitou Cecilie em Londres, na Inglaterra. “Irmãs?”, perguntou ela em uma das legendas.

Pernilla e Cecilie (Foto: Reprodução/Instagram)

Pernilla e Cecilie (Foto: Reprodução/Instagram)

Cecilie, que chegou a viajar de jatinho com Shimon no primeiro encontro dos dois, criou uma instituição na Noruega para ajudar mulheres vítimas de fraude. Ela, ao lado de Ayleen e Pernilla, criaram uma vaquinha virtual para arrecadar dinheiro e sanar suas dívidas.

Ayleen é a mais reservada das três. No Instagram, ela tem apenas seis fotos. Após sofrer o golpe, ela enganou Shimon, alegando que venderia as roupas de grife do rapaz. Ela conseguiu vender algumas peças e acessórios e ficou com o dinheiro. “Obrigada por todas as mensagens. Estamos emocionadas com o apoio de todos! Vou tentar responder cada um de vocês”, escreveu ela em sua biografia na rede social.

 

 

Fontes: G1, Veja, Exame, Netflix.

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