Lulu Santos comemora 40 anos de carreira e ganha versões de seus sucessos na voz de diversos artistas

Compartilhe:

São 40 anos de carreira e sucesso, uma história de dedicação e talento na música.

A convite do jornal O Globo, Lulu ouviu em primeira mão o disco. De cara, ele se animou com as frequências graves e o clima meio Pet Shop Boys que “Cadê você” (1996) ganhou nas mãos do grupo baiano Astralplane, e se interessou em perguntar quem era o artista que pegou “Telegrama” (1986) e a reconfigurou (sem abdicar das guitarras) de um jeito um tanto Depeche Mode, um tanto New Order (a obra foi do paulistano Pablo Vermell, que, como muitos dos artistas do disco, Lulu não conhecia).

As cantoras, no entanto, foram as que mais emocionaram o artista em “Futuro do passado”. Sua interpretação favorita foi a da gaúcha Duda Brack em “A cura” (de 1988, numa gravação que já tinha sido apresentada a ele, dois anos atrás, por Preta Gil). Já o “Certas coisas” (1984) de Antônia Morais o fez exclamar: “Isso é lindo, ela tirou a harmonia e deu uma interpretação à Nara [Leão]!”. E o “Vale de lágrimas”, submetido a uma “modificação intensa” por Jennifer Souza, do grupo mineiro Moons.

Ouça!

 

Lulu Santos já havia começado a comemorar seus 40 anos de carreira com o lançamento do livro “LULU Traço & Verso”, que conta a história de sua jornada artística. A edição tem 40 músicas com cifras das gravações originais e ilustrações de Daniel Kondo.

“As pessoas conhecem muitas de minhas canções e gostam muito de cantá-las, alto, junto”, afirma Lulu. “Este livro é um estímulo a esses fãs. Ensina a tocar em tablatura simples, mas fiéis às gravações originais, organizadas por Tavinho Menezes, nosso maestro e fiel guitarrista. Quem canta seus males espanta! Quem toca e canta faz isso em dobro”.

Ainda em entrevista para o jornal O Globo, Lulu fala sua perspectiva sobre o lançamento que aconteceu na Bienal do Livro do Rio, onde foi organizado um karaokê para que os fãs se apresentassem.

“Uma moça, enfermeira do [Hospital Universitário] Gaffrée e Guinle, cantou “Como uma onda” aos prantos. As pessoas não chegaram lá para cantar, mas para extravasar. E essas canções eram o veículo para isso”, conta Lulu. “Sempre achei que minhas músicas precisavam de um songbook, apostando na beleza do objeto tátil que é esse livro para você abrir, pegar seu violão e tocar”.

Compositor para quem “a inspiração é como um motor, se você desliga ele esfria”, Lulu Santos reconhece que os 40 anos como artista solo afetaram seu modus operandi.

“Com o tempo, eu fiquei muito… prático!”, diz. ” Quando “Hit” [um dos singles que lançou ano passado] apareceu para mim numa soneca, eu reparei que estava muito mais pronto para arriar uma ideia procurando muito menos. Se você pegar uma canção como “Casa” [hit de 1986], ela é gongórica, difícil de tocar, uma busca de harmonias… ela tem o seu poder, a sua representatividade, eu a levo a sério, mas reconheço naquilo um excesso de forma para atingir alguma coisa. Fui simplificando para fazer da forma mais direta possível”.

Em 2022, por sinal, completam-se 50 anos desde que a edição brasileira da revista “Rolling Stone” anunciou: “Eles são os nossos guitarristas de vanguarda, a voz da nova geração”. Entre Pepeu Gomes, Sérgio Dias (Mutantes) e Lanny Gordin, lá estava Luiz “Lulu” Maurício, de 19 anos, do grupo Albatroz. Um garoto que, “além de estudar quatro horas diárias de violão, toma aulas de teoria, solfejo, violão e canto”.

“Parei com a busca pelo instrumentista, chegou uma hora em que eu quis ser identificável e me bastar. Você fica muito preso ao papo técnico e à execução. Eu pratico sempre que posso, mas a busca é por usar menos elementos, ser mais zen”, idealiza. “Precisei me despir e perceber que a música no mundo estava indo para outro lugar e que a ideia central, o discurso, era mais importante”, finaliza Lulu sobre o lançamento do livro.

 

Compartilhe: