“Língua brasileira” é o novo álbum autoral de Tom Zé

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Com dez músicas inéditas compostas para peça de teatro, Tom Zé construiu um novo álbum que será lançado pelo selo Sesc. Será a forma ideal para entender a organicidade do trabalho do compositor, tão importante no processo criativo de Hirsch.

No início de 2020, Tom Zé havia criado uma canção para o novo espetáculo do diretor Felipe Hirsch, chamada “Língua Brasileira”. O espetáculo iria entrar em cartaz em março daquele ano. Mas, a pandemia entrou em cena e os planos foram adiados.

“Foram dez canções de um minuto cada que se montavam na minha cabeça”, explica. “E, à medida em que ia fazendo, mostrava para o Felipe, que respondia com caminhos certeiros. Foi ele quem me ajudou a ter coragem e força para perseguir essas músicas”, conta Tom Zé sobre todo o processo de construção da narrativa.

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Isolados, Tom Zé e Hirsch cultivaram uma troca de mensagens, que resultou em outras nove canções inéditas e um novo rumo para o espetáculo.

Foto: Divulgação

Depois de quase dois anos, o espetáculo estreou no Teatro Anchieta, no Sesc Consolação. “Agora temos uma peça muito diferente daquela que estrearia em 2020. Construímos uma sólida dramaturgia e, em relação ao que era em 2020, o espetáculo hoje é mais concentrado. Usamos o tempo de isolamento para amadurecer o projeto”, observa Hirsch, que aponta esta como a peça mais desafiadora de sua vasta carreira, iniciada em 1993.

Foto: Divulgação

Em cena, os atores Amanda Lyra, Danilo Grangheia, Georgette Fadel, Laís Lacôrte, Pascoal da Conceição e Rodrigo Bolzan cantam e declamam os versos criados por Tom Zé.

Uma das canções mais instigantes, Língua Prova Que, é definida por Hirsch como uma espécie de opereta pois, em seus dez minutos, traz versos elaborados com cuidado formal, mas embalados por ritmos diversos, cujas mudanças são repentinas. “É um dos momentos mais exigentes para o elenco”, diz o diretor.

“O espetáculo pretende mostrar tanto a exuberância da origem da língua portuguesa como sua ação nociva, de contribuir para a extinção de outras – atualmente, no Brasil, cerca de 190 idiomas (a maioria indígenas) estão em vias de acabar. Algumas sobrevivem graças à existência de apenas uma pessoa que a domina. É o encontro do esplendor com a sepultura”, observa Hirsch, inspirando-se em um verso de Olavo Bilac que aponta o paradoxo do nosso idioma: “És, a um tempo, esplendor e sepultura”.

O espetáculo se distribui em cinco atos, além de um prólogo e um epílogo, viagem linguística que contou com a colaboração de diversos pesquisadores especializados no estudo do português falado no Brasil. “O que interessava era mergulhar na cultura, na mítica, na mística, nas narrativas, no folclore e no ambiente das diversas culturas que puderam de alguma maneira participar da construção do idioma”, atesta Caetano Galindo, consultor assim como Yeda Pessoa de Castro e Eduardo de Almeida Navarro, entre outros. “Há centenas de línguas em uso no nosso país: as indígenas que resistiram, as africanas, europeias e asiáticas. Há ainda crioulos ou anticrioulos (línguas surgidas no local onde são faladas) derivados de comunidades quilombolas, por exemplo”.

Fatos reais também se impuseram na criação, como a ação do grafiteiro Kadu Ori que, em 2016, pichou um dos símbolos do Rio de Janeiro: o relógio da Central do Brasil. “Sem entrar na questão do crime, a frase que ele pichou, ‘Nossa pátria está onde somos amados’, se conecta com o pensamento do espetáculo”, diz Hirsch, que também trouxe a história da ocupação que índios guaranis fizeram no Pico do Jaraguá, em 2017, em protesto pela revogação de uma portaria que dava a eles a posse de uma porção de terra. “Novamente, uma ação de urgência para que os índios pudessem sobreviver independente do que acontece no momento atual”.

O espetáculo segue em cartaz no Teatro Anchieta até 20 de fevereiro, de quinta a sábado, às 20h, e domingo, às 18h. Os ingressos variam de R$ 20 a R$ 40 (inteira). Mais informações pelo Portal do Sesc Consolação. Pessoas com mais de 12 anos deverão apresentar comprovante de vacinação contra COVID-19, evidenciando DUAS doses ou dose única para ingressar em todas as unidades do Sesc no estado de São Paulo. O comprovante pode ser físico (carteirinha de vacinação) ou digital e um documento com foto.

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