Em cartaz em São Paulo, Juca de Oliveira revive “A Flor do meu Bem-Querer”

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“A Flor do meu Bem-Querer” estreou em São Paulo, na última quinta-feira (13) e marca o retorno de Juca de Oliveira aos palcos. Desde 2020, início da pandemia, Juca de Oliveira não subia aos palcos com suas comédias de costumes.

Em 2020, Juca teve de interromper a temporada com o espetáculo “Mãos Limpas”, que estava em cartaz no Teatro Renaissance, onde lotava as sessões, o que causou uma das suas maiores frustrações, “Foi a pior sensação da minha vida bloquear um espetáculo que garantia o sustento de uma equipe e perceber que a paralisação se arrastaria por muito tempo”, recorda Juca. “E, claro, logo veio o medo de nunca mais subir em um palco e, para quem tem 86 anos, essa espera ganhou outro significado”.

Marcando a reinauguração do Teatro Frei Caneca, agora sob direção da Opus Entretenimento, e vale ressaltar que o Teatro está impecável, Juca de Oliveira relança o clássico de sua dramaturgia com texto atual e com o mesmo senso de humor que aborda questões políticas e cotidianas. Com a retomada, Juca respira diante da possibilidade de garantir o entretenimento de um público sedento por risadas.

O espetáculo tem a direção de Léo Stefanini, é a atualização de um sucesso do comediógrafo consagrado por “Meno Male” (1987), “Caixa Dois” (1997) e “Às Favas com os Escrúpulos” (2007), sendo este, sucesso no comando da eterna diva Bibi Ferreira.

“A Flor do meu Bem-Querer”, entrou em cartaz em 2003 e foi marcada como uma comédia de costumes que não poupava críticas a nomes como os do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. Sobre essa reestreia, Juca comenta sobre as críticas aos políticos: “Neste momento, precisamos de solidariedade, fugir de agressões, não existe nenhum cutucão no fígado de ninguém”, alerta o autor, que também está no palco na pele do caipira Nhô Roque.

O elenco conta com grandes nomes da TV brasileira e do teatro, entre eles Rosi Campos, que interpreta Dos Anjos, Léo Stefanini, como Senador Zé Otávio, Nilton Bicudo, como Chico Lima, Juliana Araripe, como Vanessa, Natallia Rodrigues, como Flor, Daniel Warren, como Jacinto e Angela Dippe, como Tati (locução em off).

A história

O personagem é um camponês batalhador, casado com Dos Anjos (Rosi Campos), que criou a afilhada Flor (Natallia Rodrigues). A garota descobre que está grávida e são remotas as chances de ter a paternidade do filho reconhecida pelo senador Zé Otávio (Léo Stefanini), o dono da Fazenda Bem-Querer.

Foto: AgNews

Zé Otávio está em busca de sucesso e caixa, decidi vender sua fazenda Bem-Querer, o que se torna uma grande tragédia para os colonos que vivem na fazenda. Zé parece pouco sensível ao fato de deixar a família de Nhô Roque sem casa ou terra para plantar. “Uma mãe e um filho é algo que não pode ser mexido, não tem como uma criança nascer sem um lar”, justifica Juca.

O Senador Zé Otávio está numa campanha à reeleição ao Senado, com sérios problemas. Com o dinheiro congelado na Suíça tem poucas chances de realizar uma boa publicidade e se preocupa com a indiscrição de suas namoradas.

Durante a confusão causada pela notícia da venda da fazenda, um personagem pergunta: “Vocês não têm para onde ir?”, e o personagem vivido por Juca responde: “Mas para onde? Depois da pandemia, não se acha emprego em lugar nenhum”.

Juca de Oliveira por AgNews

Em tom de comédia, Flor, em um diálogo com Zé Otávio, comenta que ele será o próximo presidente em substituição a Jair Bolsonaro. O próprio senador fala que agendará um jantar com Lula e Geraldo Alckmin. “As referências ao noticiário fazem parte do universo do Juca, mas a peça não tem discurso ou defesa partidária, o importante é sensibilizar a plateia”, diz Stefanini.

Jacinto é apaixonado por Flor, é veterinário, e para não deixar o padrinho de Flor descontente, aceita fazer um exame de DNA para descobrir quem é o pai de Israel Rodolfo, filho de Flor. Sabendo que o filho é seu, Jacinto falsifica o resultado por medo, e o momento dessa revelação é hilário.

Chico Lima é assessor do Senador, estudou em Harvard. Um homem sensível, porém corrupto e que esconde um segredo revelado no final do espetáculo.

Vanessa, a amante que faz questão de gastar o dinheiro do Senador. É extravagante e no tom sarcástico aborda detalhes da vida política e pessoal de Zé Otávio.

“A Flor do meu Bem-Querer” é um retrato atual da vida de nós brasileiros e vale conferir.

 

Ficha técnica
“A Flor do Meu Bem-Querer”
Texto: Juca de Oliveira
Direção: Léo Stefanini
Diretor assistente: Mauricio Guilherme
Elenco: Juca de Oliveira (Nhô Roque), Léo Stefanini (Senador Zé Otávio), Rosi Campos (Dos Anjos), Nilton Bicudo (Chico Lima), Juliana Araripe (Vanessa), Natallia Rodrigues (Flor), Daniel Warren (Jacinto) e Angela Dippe (Tati – locução em off).
Cenário: Léo Stefanini, Janne Saviani e Wil Siqueira
Cenotécnicos: Wil Siqueira e Rafael Junqueira
Projeção: Luciana Ferraz e Otavio Juliano- Interface Filmes
Figurino: Isabella Oliveira
Iluminação: Cleber Eli
Trilha sonora: Roberto Lazzarini
Fotografia: João Caldas Filho
Assistente de fotografia: Andréia Machado
Assessoria de imprensa: Agência Taga
Direção de produção: Keila Mégda Blascke

Serviço
“A Flor do Meu Bem-Querer”
De quinta a domingo no Teatro Opus Frei Caneca
Shopping Frei Caneca – R. Frei Caneca, 569 – Consolação – São Paulo
https://teatroopusfreicaneca.com.br/
Duração: 90 minutos
Classificação: livre

 

 

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