Paulo Fernandez apresenta “PFZ Ao Vivo Na Garagem”.

Compartilhe:

EP faz um retrospecto de várias fases da artista

Paulo Fernandez apresenta seu novo trabalho – PFZ Ao Vivo Na Garagem. Com sete faixas autorais, captadas ao vivo nos estúdios Veredas e Aurora em São Paulo, o repertório tirado dos dois últimos lançamentos do artista, Urbana Idade (2017) e Além Trópico (2020), preza pela simplicidade e o registro fiel do momento das apresentações. Vislumbrando novos caminhos e horizontes musicais, o artista entrega ao público um EP que reforça sua assinatura como cantor e compositor atemporal, que passeia de forma elegante em gêneros como o Afrobeat, o Jazz, o Rock Progressivo e a MPB. 

Entre 2018 e 2019 tive a oportunidade de realizar apresentações ao vivo – Conta PFZ – algumas delas para públicos reservados de até 50 pessoas. Essas audições permitiram o registro em áudio e vídeo com considerável qualidade. Com a pandemia, e a impossibilidade de realizar shows desde 2020, surgiu a ideia desse projeto que chega às plataformas digitais neste mês. 

PFZ Ao Vivo Na Garagem abre com Cheiros Temperos, faixa que recebeu um belíssimo videoclipe gravado nos principais pontos turístico de Salvador. A música tece elogios à Bahia, suas belezas e delicadezas – Em Itaparica / Senhor do Bonfim / Filhos de Gandhi / Grande magia / Afro-mistura / pura poesia / Bahia / Bahia. 

Na faixa seguinte, o artista atualiza Foi o Saci ou Fui Eu, gravada no EP Além Trópico. Lúdica, a música soa como uma conversa de criança que mescla assuntos sérios e sisudos, como as perdas ao longo do dia, da vida e questiona de quem é a responsabilidade sobre atos e fatos. O ritmo “marcial” marcado pela bateria em alguns trechos, não é à toa. Ele remete a um momento político e faz parte desse questionamento – Onde foi parar minha paz, um pé de meia, o anel / Será que o Saci Pererê passou por aqui e pegou / Onde foi parar minha voz, minha cabeça, o meu chão / Será que perdi minha vez e o coração por um triz? 

Pedra do Querer é outra deliciosa surpresa no disco, composta nos anos 1990, tem como tema o Desejo, um dos sentimentos mais originais e genuínos da natureza humana. A letra, e o próprio movimento dos acordes e melodia, fazem uma alusão a elementos da Geologia, área de atuação do artista – Em cada beijo, uma ilusão / Em cada cena, caminho e corpo ao léu / Em cada cama, o mapa da solidão / Desejo, desejo, desejo. 

O disco fecha com a faixa de trabalho Perigo. Também composta no início dos anos 1990, é uma canção que valoriza o Pop Rock e tem uma pegada Indie que dá o tom exato e confortável para a voz bem particular de Paulo Fernandez. Segundo ele, Perigo é também uma questão de perspectiva, para alguns, a simples possibilidade de uma paixão iminente representa um enorme perigo – Nada tão simples como os dias / Noites claras, lua cheia / E mil sussurros no ouvido / Que perigo / Que perigo / Que perigo pro coração.

Assista!

 

Fugindo dos eventuais excessos de pós-produção, PFZ e os músicos que o acompanham há um bom tempo apresentam um trabalho ao vivo bem definido com registros consistentes. Além das composições originais e audaciosas, sua habilidade como cantor é vista em todas as canções, das mais antigas às mais atuais, revestindo sempre cada canção com sua única e elegante voz.

Ouça!

Compartilhe: